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Publicado em 02 de janeiro de 2009 Atualizado em 29 de abril de 2025

Das ruas à reflexão social: o interessante percurso de uma publicação alternativa

Desde antes da Internet até hojei

A cultura juvenil nas revistas

Na década de 1990, em Montreal, surgiu uma série de iniciativas da comunidade para trabalhar no domínio da edição e da cultura popular. Entre elas, Journal de la Rue, Reflet de société, Café Graffiti e Éditions TNT, todas com versões electrónicas no mesmo sítio Web. O seu objetivo comum é o de reconhecer os jovens como pessoas de pleno direito, o que significa também acolhê-los na sua cultura, com os seus problemas, sentimentos, aspirações e talentos.

Tudo começou com Le Journal de la Rue em 1992. A missão inicial da publicação era informar sobre assuntos que eram ocultados pelos meios de comunicação tradicionais: prostituição, toxicodependência, violência, etc. Entre outras coisas, publica testemunhos e recursos úteis para os utilizadores, os trabalhadores e o público em geral. Le Journal de la Rue expandiu rapidamente as suas actividades e passou a estar disponível para os jovens 24 horas por dia, 7 dias por semana, com dois trabalhadores de rua. Para além das suas actividades editoriais, a organização comunitária oferece agora um serviço de intervenção.

Em 1994, as Éditions TNT juntaram-se ao Journal de la Rue. Inicialmente criada para publicar os livros do diretor da editora, Raymond Viger, passou a publicar obras de jovens criadores, dando-lhes liberdade de expressão. O catálogo inclui CDs de música hip-hop, grafites sobre tela, vídeos e merchandising.

Em 1997, a aventura continua com o Café Graffiti, um espaço livre no bairro de Hochelaga-Maisonneuve, em Montreal, onde se encontram grafiteiros, breakers e rappers. Para lhes dar a oportunidade de realizarem o seu potencial, o Café Graffiti actua como um gestor de artistas, permitindo que os criadores sejam pagos durante algum tempo. Alguns dos que passaram pelo Café voltaram a estudar, enquanto outros criaram as suas próprias pequenas empresas ou tornaram-se artistas profissionais.

Sucesso para além da cidade de Montreal

Em 2000, a procura de Le Journal de la Rue por parte das organizações e das pessoas das regiões foi tão grande que foi criada uma revista, que passou a chamar-se Reflet de société em 2004 para a distribuir mais amplamente em todo o Quebeque. Com uma tiragem inicial de 5.000 exemplares em preto e branco e 24 páginas, a publicação é hoje uma referência para as escolas, a comunidade e outros locais que levam em consideração as questões sociais.

Do Journal de la Rue à revista Reflet de société, vale a pena conhecer o percurso da organização. Da coleção de informação e de textos de sensibilização que era o Journal de la Rue, tornou-se na grande entidade que a juventude marginal e outros "alters" de Montreal conhecem hoje através do Café Graffiti e das Éditions TNT. Quanto ao Reflet de société, em 2007 tinha 491.000 leitores quebequenses. Verdadeiro "laboratório de estudo do trabalho social, da criminologia e da história da arte", a publicação é consultada por universidades de todo o mundo.


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