Como é que o fizemos?
A era industrial produziu uma abundância de produtos "optimizados" em termos de processos, conceção e rentabilidade. As qualidades dos produtos são levadas ao limite da perfeição, para além do que um ser humano pode alcançar física ou economicamente.
O "senão" é que, se o artesão não o consegue, ninguém o consegue, exceto uma máquina, o que faz com que os produtos sejam "descartáveis", perfeitamente ilustrado pelas montanhas de dispositivos electrónicos e materiais compósitos.
Daí o interesse renovado pelo artesanato e pelas matérias-primas: um cabo de madeira que pode ser refeito se se partir, uma pedra que pode ser cortada, um pedaço de couro que pode ser cosido...
A Internet é um excelente meio para descobrir como o nosso património se mantém vivo, através de reconstituições e actividades artesanais, mas também através do trabalho de milhares de entusiastas. Eis um pequeno roteiro de lapidários, curtidores, alfaiates e outros artesãos.
Os funcionários
Os museus e os centros de interpretação parecem ser as fontes iniciais: aqueles que efectuam as reconstruções, que fornecem o material de base para a redação dos manuais, que são objeto de dezenas de vídeos turísticos ou de relatórios mais oficiais.
Se as técnicas ainda forem praticadas por artesãos, como o corte tradicional de pedra, também encontraremos manuais práticos bem documentados nas normas actuais.
Exemplos
Os entusiastas
A outro nível, o número de vídeos amadores sobre actividades tradicionais é surpreendente e abundante. Ao ver alguns desses vídeos, muitas vezes brilhantes, apercebemo-nos de como o prazer de redescobrir uma técnica pode ser estimulante para muitas pessoas. A partilha entusiástica segue-se naturalmente.
Eis alguns exemplos:
Espreitadores
Os taggers, instagrammers, snapchaters e outros facebookers são hoje os elos de uma cadeia de divulgação da cultura tradicional, mais ou menos competente ou ingénua, mas que os museus fazem bem em aproveitar.
Um exemplo:
Os praticantes regulares
Certas técnicas, como o tricô, a cerâmica e mesmo a cozinha, conservam uma certa popularidade: as suas técnicas continuam a evoluir, embora as suas bases tradicionais estejam bem estabelecidas e afirmadas.
Um site como o"Drops Design" sobre tricot (sem som nos vídeos, a imagem fala por si) ou as dezenas de sites de cozinha tradicional mostram que uma tradição viva não tem nada a temer da Internet e que mesmo tradições desaparecidas são por vezes reavivadas graças à Internet.
Na sala de aula
Para além dos vídeos de ofícios que podem ser vistos (Ver 10.000 ofícios em vídeo), mesmo que um certo número de actividades tradicionais seja possível - tricotar, fazer cerâmica, cozinhar, fazer papel, etc. - estas são cada vez menos propostas.
Face à robótica, ao fabrico em 3D e aos jogos de vídeo, a concorrência é desigual. Se acrescentarmos o investimento ou o "risco" associado a actividades como a escultura ou a carpintaria, só restam os cursos de formação profissional e, talvez, alguns momentos privilegiados numa aula de história. Mudança de época.
Referências
Corte de pedra
Curtimento de pele
Fazer corda
Fabrico de porcelana
Tricô
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