Na vida real...
Enquanto a formação se limitou à organização de sessões de grupo, assumiu o aspeto de um curso ou de uma cápsula numa plataforma. Este formato de organização sobrepõe-se aos outros, embora todos os professores conheçam os limites de uma situação desfasada da prática real.
É possível tomar alguma distância, e muitas vezes desejável, mas nada é exatamente igual num curso preparado. O real tem mais incertezas e indecisões do que o caso prático, daí o seu poder de aprendizagem. Há, portanto, duas formas possíveis de organizar o curso.
Os percursos e os eventos constituem visões complementares da pedagogia. Embora as duas dinâmicas sigam ritmos e movimentos diferentes, a sua combinação produz efeitos notáveis.
Percurso: uma progressão contínua
O percurso é uma progressão educativa, constituída por todas as etapas pelas quais o aprendente passa para atingir um objetivo pessoal ou profissional. Quando este percurso é organizado por um engenheiro pedagógico, corresponde a uma sequência de exercícios, de situações reais ou de formação, ou de actividades educativas digitais ou não digitais, por ordem cronológica (começo uma tarefa com...), por ordem lógica (do simples para o complexo), ou de acordo com as competências-chave identificadas na atividade (por exemplo, comunicar ou resolver um problema).
Este processo é também experiencial, quando o aprendente utiliza situações da sua vida para aprender. Esta aprendizagem autónoma é informal e situada. Ocorre como um subproduto de outras situações em que o objetivo explícito não é necessariamente o de aprender. Uma atividade é realizada e oferece a oportunidade de descobrir e aprender outras coisas. Por exemplo, se estou a fazer jardinagem ou a descobrir a apicultura, estou a aprender sobre o respeito pela natureza, os costumes de uma aldeia ou as práticas de uma profissão.
Gradualmente, em ambos os casos, quer com base num percurso pré-estabelecido, quer através da aprendizagem ao longo da vida, é possível escrever a história das aventuras e dos objectivos de aprendizagem que se reforçam e das direcções que se formam. A trajetória ganha sentido a posteriori e o indivíduo é capaz de contar a história do seu percurso.
A ideia de um percurso também ecoa o trabalho de Francisco Varela, que mostra como se desenvolvem os estímulos e as reacções oferecidos por um cérebro constantemente solicitado pelo seu ambiente. Aprender à medida que se avança significa deixar o tempo fazer o seu trabalho.
Eventos: convergir e dispersar
Um acontecimento é, antes de mais, um encontro com outros, num determinado lugar prático ou inspirador. Quando o lugar é insólito ou histórico, gera um desejo de agir, de aprender ou de inovar. O evento é um ponto de encontro. As pessoas juntam-se e partilham. O efeito de coação e de co-aprendizagem é ainda mais forte quando se reúne um grande número de aprendentes.
Depois, é um ponto de dispersão. Todos saem com novas ideias. Ele fez um depósito no grupo. Também está cheio de emoções e de conhecimentos. A informação flui em ambas as direcções. Há quem fale deedutainment, a palavra anglo-saxónica que combina educação e entretenimento. Nesta expressão, o organizador da formação é sensível à forma que o encontro assume. Visualiza-se uma série de quadros, cada um deles um cenário. Os participantes deslizam de um ato para o outro e cada momento traz consigo o seu próprio drama emocional, reforçando ainda mais a força emocional do conhecimento e estimulando o desejo. Outros vão mais longe e procuram estimular o desejo de aprender numa altura em que a atenção está dispersa - evocam a erotização da formação.
Combinação de percursos e de acontecimentos
Os novos sistemas de formação combinam acontecimentos e percursos num ambiente digitalizado.
Na ideia de um percurso de aprendizagem, cada um segue o seu caminho, encontra-se com outros durante algum tempo e depois retoma o seu percurso. Do ponto de vista dos organizadores da formação, torna-se difícil apreender uma tal amplitude de movimentos, a menos que queiramos rastrear o que se tornou um ecossistema de aprendizagem através de uma extração de dados cada vez mais avançada. No futuro, tal como nos departamentos de vendas dos supermercados, poderão ser desenvolvidos trabalhos de análise para captar e seguir os rastos deixados pelos aprendentes.
Fontes
Formaguide Stéphane Diebold - Faut-il érotiser la formation?
https://www.formaguide.com/s-informer/faut-il-erotiser-la-formation-par-stephane-diebold
EMarketing Edutainment https://www.e-marketing.fr/Definitions-Glossaire/Edutainment-241558.htm
Wikipedia - Francisco Varela https://fr.m.wikipedia.org/wiki/Francisco_Varela
Thot cursus - Escolher um local de formação inspirador
https://cursus.edu/articles/42216/choisir-un-lieu-de-formation-inspirant
Thot cursus - Há lugar para o trabalho de analista de dados de aprendizagem?
https://cursus.edu/articles/36653/y-a-t-il-une-place-pour-le-metier-de-data-scientist-de-lapprentissage
Educ Sol - Tudo começa com a progressão pedagógica
http://eduscol.education.fr/sti/sites/eduscol.education.fr.sti/files/ressources/techniques/5184/5184-186-p78.pdf
Chevrier, J., & Charbonneau, B. (2000). Le savoir-apprendre expérientiel dans le contexte du modèle de David Kolb. Revue des sciences de l'éducation, 26(2), 287-324.
https://www.erudit.org/fr/revues/rse/2000-v26-n2-rse367/000124ar/
Alheit, P., & Dausien, B. (2005). Processus de formation et apprentissage tout au long de la vie. L'Orientation scolaire et professionnelle, (34/1), 57-83.
https://journals.openedition.org/osp/563
4cristol.over-blog - De onde vem a ideia de um ecossistema de aprendizagem?
http://4cristol.over-blog.com/article-d-ou-vient-l-idee-d-ecosysteme-d-apprentissage-ou-nous-conduit-elle-114004644.html
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