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Publicado em 06 de junho de 2016 Atualizado em 18 de março de 2025

Cultura e valores religiosos

Valores e neutralidade das instituições públicas

Condição essencial para o pluralismo das culturas e das crenças numa sociedade, a neutralidade religiosa das instituições públicas relega a religião e as crenças para a esfera privada e para a dos grupos sem objectivos políticos. Quando uma religião se torna a religião do Estado, a tolerância é normalmente posta de parte.

Uma religião imposta prova que o seu próprio valor não é suficiente para convencer... e corre para o seu declínio até regressar à sua essência.

O princípio das sociedades abertas é beneficiar das contribuições de todos, no respeito pelas suas crenças, contribuições que acabam por enriquecer a cultura de cada um, debater questões críticas, questionar e atualizar valores.

Realmente convincente

As religiões estruturadas adaptaram o seu discurso a esta condição, que surgiu esporadicamente ao longo dos tempos, em todas as regiões fulcrais, onde várias culturas tiveram de conviver. Já não se trata de impor, mas de convencer, com argumentos reais.

É evidente que as religiões se confrontam regularmente com os seus próprios dogmas, como o da preservação absoluta da vida, que está a ser posto à prova pelo desenvolvimento das tecnologias e pela evolução das mentalidades. Mas, para além destes dogmas, as religiões são um dos poucos meios de divulgação e de promoção dos valores humanistas.

A religião cristã propõe vários deles, que foram e continuam a ser considerados particularmente corrosivos para os poderes despóticos. O perdão, o amor ao próximo, a aplicação do espírito e não da letra, uma vida espiritual para além do corpo físico, a possibilidade de viver com dignidade, etc.

O equilíbrio do poder

Os aproveitadores e os abusadores não gostam destas histórias. No fim de contas, as religiões, esses grupos que reúnem pessoas que partilham os mesmos valores, são uma força que pode opor-se às crenças puramente materialistas que se apoderaram das instituições públicas, exibindo a sua pretensa neutralidade.

Não se trata tanto de afirmar uma determinada religião, mas de afirmar os valores humanos na esfera pública, de tolerar uma visão diferente da dos valores objectivos e materiais, que são maus guias quando se trata de avançar para a felicidade do maior número de pessoas.

Para saber mais:

Ensinar a moral na escola: devemos fazê-lo? - Alexandre Roberge - Thot Cursus
http://cursus.edu/dossiers-articles/articles/26877/enseigner-morale-ecole-faut-faire/

Secularismo: o que está em jogo para a sociedade? A perspetiva de um historiador - Université de Poitiers
http://cursus.edu/institutions-formations-ressources/formation/26367/laicite-quel-enjeu-pour-societe-regard

Cultura religiosa, pastoral, catequese: de que estamos a falar? - Tabela .pdf
http://sitecoles.formiris.org/userfiles/files/sitecoles_1329_1.pdf


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