Desde 2022, a economia está em polvorosa. A covid já tinha abalado todos os sectores de atividade com os vários confinamentos e, no momento em que o mundo se recompunha, eclodiu um conflito de grandes proporções na Ucrânia. Nada que tranquilize os mercados febris que procuram recuperar a força após dois anos de abrandamento.
Outras crises vieram juntar-se a este quadro, dando uma perspetiva muito pessimista para o futuro. Pelo menos, se consultarmos regularmente os grandes meios de comunicação social sobre questões financeiras.
Poderão estas mensagens bastante negativas sobre o estado do mundo ter algum efeito real na economia? Até agora, a economia tem-se dividido quanto a esta questão. Algumas análises dizem que sim, enquanto outras põem em dúvida esse facto.
Dalibor Stevanovic, professor do Departamento de Economia da ESG UQAM, realizou um estudo que parece mostrar uma relação causal entre o grau de otimismo dos investidores e dos indivíduos e o produto interno bruto (PIB). Utilizaram dados sobre a confiança destes dois grupos compilados trimestralmente pelo Conference Board of Canada. Utilizaram um modelo de auto-regressão vetorial (VAR) para constatar o nexo de causalidade.
Aparentemente, ao longo de dois anos, a confiança das empresas afecta um sexto da variação do PIB. Em três anos, a confiança dos consumidores seria responsável por 19,46% das flutuações das taxas de juro, um efeito ainda maior. No entanto, isto diz respeito à economia canadiana, uma vez que a do seu vizinho americano é muito menos afetada por estas mudanças ou por este pessimismo. Uma análise seria ainda mais interessante para compreender as diferenças entre os dois países a este respeito.
No entanto, o professor Stevanovic adverte os economistas para não alimentarem o que poderia ser uma profecia auto-realizável. Surpreende-o ver um discurso tão pessimista quando, por exemplo, os números do emprego não tendem a mostrar uma recessão.
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