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Publicado em 02 de abril de 2025 Atualizado em 02 de abril de 2025

A adoção de criptomoedas pela geração mais jovem

As criptomoedas precisam de mais educação económica

Adoção das criptomoedas pela geração mais jovem

Os jovens são atraídos pelas criptomoedas, como a Bitcoin e a Solana. Trata-se de activos digitais baseados na tecnologia blockchain, um registo descentralizado e seguro que regista as transacções sem a necessidade de intermediários como bancos ou governos. Criados para funcionar em redes informáticas peer-to-peer, oferecem uma alternativa aos sistemas financeiros tradicionais, garantindo transparência, segurança criptográfica e descentralização, eliminando assim o controlo centralizado.

Em que é que a Bitcoin é diferente das outras criptomoedas?

A Bitcoin, lançada em 2009 por uma pessoa ou grupo sob o pseudónimo Satoshi Nakamoto, é a primeira e mais conhecida criptomoeda. Lançou as bases da tecnologia blockchain e continua a ser uma referência. Difere de outras criptomoedas (como Ethereum, Litecoin, Ripple, etc.) em vários aspectos fundamentais. Eis as principais diferenças, com base nos dados das fontes Web fornecidas e nos conhecimentos gerais:

1. Origens e objetivo principal

  • Bitcoin: Concebida como uma moeda digital descentralizada para ser uma alternativa ao sistema monetário tradicional, centrada nos pagamentos peer-to-peer sem intermediários. O seu principal objetivo é servir de "moeda digital" e de reserva de valor, sendo frequentemente comparada ao "ouro digital".

  • Outras criptomoedas (altcoins): Muitas altcoins, como a Ethereum, foram criadas para alargar ou melhorar a funcionalidade da Bitcoin. O Ethereum, por exemplo, introduz contratos inteligentes, permitindo aplicações descentralizadas (dapps) e finanças descentralizadas (DeFi), enquanto o Litecoin visa transacções mais rápidas e o Ripple (XRP) se centra em pagamentos internacionais rápidos e pouco dispendiosos para as instituições financeiras.

2. Tecnologia e caraterísticas

  • Bitcoin: Utiliza um algoritmo de consenso denominado Proof of Work (PoW) para proteger a rede e validar as transacções. Tem um limite fixo de 21 milhões de Bitcoins, reforçando o seu papel de reserva de valor, mas é limitada em termos de escalabilidade (cerca de 7 transacções por segundo) e não suporta contratos inteligentes nativos.

  • Outras criptomoedas: Muitas altcoins adoptam tecnologias diferentes. O Ethereum, por exemplo, passou para aProva de Participação (PoS) com o Ethereum 2.0 para melhorar a eficiência energética e a escalabilidade e suporta contratos inteligentes, permitindo uma vasta gama de aplicações.
    A Litecoin utiliza um algoritmo Scrypt
    (mais rápido do que o SHA-256 da Bitcoin) e tem um limite de 84 milhões de moedas. O Ripple, com o XRP, utiliza um mecanismo de consenso único(Ripple Protocol Consensus Algorithm, RPCA) para transacções quase instantâneas entre instituições.

O que é a DeFi?

O financiamento descentralizado, ou DeFi, é um subconjunto de criptomoedas que usa a blockchain para criar sistemas financeiros peer-to-peer, eliminando instituições centrais como bancos ou corretores. Utilizando protocolos como o Uniswap ou o Aave, a DeFi permite actividades como o empréstimo, a contração de empréstimos ou a troca de activos digitais sem intermediários, muitas vezes através de aplicações acessíveis através de smartphones.

Motivações dos jovens

1. Apelo geracional

Os jovens estão a aderir às criptomoedas por razões geracionais, reflectindo a sua imersão na era digital. Nascidas num mundo conectado, as gerações Y e Z são atraídas por aquilo que os seus pais não dominam, como as criptomoedas e a DeFi, que consideram um símbolo de modernidade e de independência em relação às instituições financeiras tradicionais, frequentemente consideradas rígidas ou distantes da sua realidade. Este fascínio geracional resulta de um desejo de romper com os sistemas financeiros tradicionais, que associam à exclusão ou a uma complexidade inacessível.

2. Fascínio tecnológico

O aspeto tecnológico é outro fator-chave. A cadeia de blocos, com a sua transparência, descentralização e segurança, atrai os jovens tecnófilos. A DeFi, acessível através de smartphones e aplicações como a MetaMask ou a Trust Wallet, reforça este apelo, como mostra um estudo Finder(Cryptocurrency Adoption Report, 2023), onde 49% da Geração Z nos Estados Unidos investem através de plataformas móveis. Estas ferramentas digitais intuitivas oferecem acessibilidade global, desafiando as estruturas financeiras tradicionais com a sua simplicidade e inovação.

3. A atração do lucro

Em 2025, estas tecnologias estão a atrair as gerações mais jovens, em particular as gerações Y e Z, fascinadas pela sua promessa de liberdade e independência dos sistemas financeiros tradicionais. Com um aumento de 111% dos milionários da Bitcoin em 2024(Cointelegraph) e um enriquecimento de 38 mil milhões de dólares para os cripto-bilionários após o aumento da Bitcoin(Forbes France), a atração do lucro está a tornar-se um poderoso motor, mas os riscos para os novatos, como os jovens, sublinham a necessidade urgente de uma educação adequada.

Este artigo explora as motivações dos jovens, os desafios colocados por esta desregulamentação e o papel crucial das escolas e das universidades para os equipar, combater os "tubarões" financeiros, influenciar as políticas e perspetivar um futuro estável face aos riscos e desigualdades potenciais. Confrontados com um custo de vida elevado, salários de entrada modestos e obstáculos aos investimentos tradicionais, os jovens sonham em enriquecer rapidamente através das criptomoedas, vendo nestes exemplos uma porta de entrada para a prosperidade.

4. A facilidade de negociação

A facilidade de negociação em plataformas como a Coinbase, a Binance ou a Kraken, com transacções rápidas, acesso 24 horas por dia, 7 dias por semana e sem intermediários bancários, reforça este apelo. Estas plataformas, muitas vezes intuitivas e disponíveis nos smartphones, oferecem uma alternativa aos sistemas financeiros considerados complexos e lentos, permitindo aos jovens participar no mercado mundial sem barreiras financeiras ou geográficas, mas também sem as garantias tradicionais, o que aumenta a sua exposição ao risco.

Desafios e riscos da adoção

1. Volatilidade do mercado

As criptomoedas apresentam riscos significativos, nomeadamente a sua volatilidade. O preço da Bitcoin, por exemplo, perdeu cerca de 60% do seu valor em 2022, expondo os investidores principiantes, que são frequentemente atraídos pela atração do lucro, a perdas significativas. Esta instabilidade pode rapidamente transformar as esperanças de enriquecimento em perdas financeiras para investidores jovens e inexperientes.

O crash de 2022: uma lição fundamental

O crash das criptomoedas de 2022, em que cripto-bilionários como Changpeng Zhao da Binance perderam até 82 mil milhões de dólares(Statista), ilustra os riscos extremos da volatilidade. Esta perda maciça oferece uma lição crucial para os jovens: a atração do ganho pode rapidamente transformar-se em perdas maciças se os investidores não compreenderem a dinâmica do mercado, salientando a necessidade de uma educação adequada para evitar erros semelhantes.

2. Desregulamentação e burlas

A desregulamentação total através da DeFi, embora atraente, levanta problemas de segurança, como a pirataria de câmbios (por exemplo, Mt. Gox em 2014, de acordo com o FMI) e a falta de protecções legais, deixando os jovens vulneráveis a fraudes e "tubarões" financeiros que exploram a sua inexperiência. A acessibilidade tecnológica, embora seja uma vantagem, pode expô-los a burlas sofisticadas em plataformas não regulamentadas.

3. Desconfiança em relação aos sistemas tradicionais

O apelo geracional das criptomoedas também pode ampliar os perigos, uma vez que os jovens, num contexto de crescente desconfiança em relação aos sistemas financeiros tradicionais, podem subestimar os riscos. Por exemplo, a subida do preço do ouro (2 500 dólares por onça até 2025, segundo o Banco Mundial) é sinal de uma maior prudência, mas os jovens, fascinados pela DeFi, podem evitar uma análise aprofundada dos riscos financeiros.

O papel dos estabelecimentos de ensino

1. Uma educação económica mais forte

Perante estes desafios, as escolas e as universidades devem preparar os estudantes para lidar com as criptomoedas e os riscos financeiros. É essencial uma educação económica reforçada, incluindo cursos sobre volatilidade, blockchain, DeFi, os riscos da desregulamentação, a ganância e a facilidade de negociação, tal como salientado num estudo sobre literacia financeira(Lusardi & Mitchell, Financial Literacy, 2014).

2. Simulações práticas e estudos de caso

Esta formação deve incluir simulações práticas (análise da subida e descida da Bitcoin, gestão do risco DeFi), estudos de caso sobre mercados financeiros, fraudes comuns e crashes como o de 2022, bem como projectos de colaboração para influenciar políticas, como reformas que promovam uma regulamentação protetora para investidores principiantes.

3. Parcerias com peritos

As instituições de ensino podem estabelecer parcerias com especialistas em finanças e criadores de cadeias de blocos para formar os estudantes na identificação de "tubarões" (burlas, manipulação do mercado, volatilidade), na avaliação de oportunidades e riscos e na navegação em plataformas de negociação sem cair em decisões irreflectidas. Por exemplo, os seminários podem analisar livros brancos de projectos DeFi ou simular sessões de negociação para compreender a volatilidade, inspirando-se nas subidas e descidas por vezes muito grandes.

4. Reduzir as desigualdades e influenciar as políticas

Esta abordagem prepara os alunos para compreender a dinâmica das criptomoedas, evitar armadilhas financeiras e contribuir para um futuro estável, equilibrando a sua atração pela inovação e descentralização com uma gestão prudente.

Também ajuda a reduzir potenciais desigualdades, dotando os jovens de ferramentas para participarem equitativamente em oportunidades financeiras, influenciando simultaneamente as políticas públicas para um sistema resiliente face aos desafios da desregulamentação e dos riscos digitais, tais como flutuações imprevisíveis nos mercados de criptomoedas ou fraudes sofisticadas.

Resumo

As criptomoedas e a DeFi oferecem aos jovens uma oportunidade de autonomia, inovação tecnológica e ganhos rápidos, mas a sua adoção acarreta riscos de volatilidade e desregulamentação. Ao reforçar a educação económica, as escolas e as universidades podem orientar os jovens para uma adoção responsável, equilibrando o seu apelo geracional, tecnológico e financeiro com uma gestão prudente, influenciando simultaneamente a política para um futuro positivo face ao risco financeiro e à potencial desigualdade.


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