A Biblioteca Ambrosiana de Milão alberga um tesouro inestimável: a maior coleção de desenhos e escritos de Leonardo da Vinci, o Codex Atlanticus.
Quando morreu em 1519, Leonardo deixou a maior parte dos seus manuscritos a Francesco Melzi, um dos seus alunos mais próximos. Quando Melzi morreu em 1570, o seu filho dispersou os manuscritos. Pompeo Leoni recebeu alguns de Melzi e comprou outros.
Leoni desmontou os manuscritos originais e criou duas colecções separadas: a primeira, "Disegni di Machine e delle Arti Secreti et Altre Cose di Leonardo da Vinci Racolti da Pompeo Leoni", reunia os desenhos científicos e técnicos: este é o Codex Atlanticus. O segundo, mais relacionado com a botânica e a anatomia, encontra-se disperso por várias outras colecções europeias.
Totalmente digitalizado
O Codex Atlanticus contém obras de Da Vinci escritas entre 1478 e 1518. As 1119 páginas foram cuidadosamente indexadas e digitalizadas e estão à disposição do público gratuitamente.
Agrupadas em 5 secções, as obras podem ser consultadas de várias formas.
- Geometria e álgebra
- Física e ciências naturais
- Ferramentas e máquinas
- Arquitetura e aplicações
- Ciências humanas
Os documentos estão em alta resolução e podem ser ampliados até às manchas de tinta.
Para descodificar a caligrafia, é preciso ter em conta que tem de ser lida num espelho e que está em italiano ou latim antigo. Da Vinci viveu numa época em que qualquer verdade que contrariasse certos dogmas podia levá-lo à prisão ou ao cadafalso, para não falar da inveja que as suas máquinas podiam atrair. Por isso, era cauteloso.
A biblioteca de Milão está de parabéns por ter tornado acessível a todos esta coleção do património mundial. O sítio ganhou vários prémios e distinções internacionais.
Codex Atlanticus
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