Durante muito tempo pensou-se que o sucesso da intimidade sexual nos seres humanos, ou nos animais que experimentam a excitação, se baseava principalmente em questões mecânicas e nos órgãos sexuais. No entanto, isto não podia estar mais longe da verdade, segundo os neurologistas que há décadas estudam o papel do cérebro no prazer. Novas tecnologias e técnicas de imagiologia permitem ver melhor as ligações neuronais e o que se passa no córtex, quer se trate de ratinhos, ratos ou seres humanos.
Parece, como mostra este programa da France Culture, que os especialistas estão a aperceber-se de que o papel do cérebro é mais do que essencial na sexualidade. Isto porque diferentes partes do cérebro estão envolvidas na excitação dos indivíduos.
Assim, as palavras maliciosas activam uma parte, enquanto o sussurro pode criar mensagens mais fisiológicas e levar à estimulação de outra parte: a da imaginação. Estes componentes são ainda mais importantes do que a mecânica dos órgãos genitais, uma vez que há desejo que não se manifesta numa ereção e orgasmos que ocorrem sem ejaculação.
Estes avanços poderiam explicar muito da excitação sexual e de certos problemas sexuais nos homens e nas mulheres, mesmo que estas últimas estejam menos preocupadas atualmente. Felizmente, esta situação está a mudar, com pesquisas realizadas em roedores na Califórnia, entre outros locais.
A neurobiologia da sexualidade e da excitação continua a ser um tabu nos meios científicos. Muitos usam paráfrases para evitar dizer as palavras que ofendem, ou os organismos públicos recusam bolsas de investigação para temas que parecem "não essenciais", apesar de poderem esclarecer muitas coisas sobre um elemento importante da vida humana: a intimidade.
Duração: 53 minutos
Para ouvir o programa no YouTube
Imagem: Alisa Dyson do Pixabay
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