As competências no contexto escolar
A transferência de conhecimentos está no cerne da problemática da avaliação das competências. Tal como os conhecimentos, não deveriam as competências ser avaliadas no âmbito de situações significativas, idealmente em situações reais?
Reconhece-se a importância de realizar ações que demonstrem uma certa habilidade na prática; os piagetianos demonstraram que a situação do aluno em ação lhe permitia conhecer não só as propriedades dos objetos, mas também as propriedades da própria ação. Cabe ao pedagogo desenvolver situações de avaliação em que os alunos tenham de expressar as suas habilidades na resolução de problemas, num contexto o mais significativo possível.
A contextualização
A etapa da contextualização é aquela em que o aluno pode utilizar os conhecimentos adquiridos para executar uma tarefa complexa, por exemplo, numa situação em que a simulação substitui a realidade. E é nesta etapa que as competências são avaliadas. O aluno utiliza o que aprendeu e demonstra as suas competências práticas. Recorre à sua reflexão para resolver um problema, construir um conjunto de objetos que exigem que mobilize as suas faculdades cognitivas, que recorra à contribuição dos seus pares, bem como a meios tecnológicos, tais como bases de dados e programas especializados, por exemplo.
A complexidade da tarefa leva, assim, o aluno a explorar não só os seus conhecimentos, mas também as suas competências pessoais e o seu espírito crítico. O trabalho realizado numa determinada situação contextualiza as competências disciplinares do aluno, permitindo simultaneamente que certas competências transversais se manifestem. O contexto é, assim, portador de significado e é sustentado por regras de avaliação.
A avaliação
Avaliar os alunos em ação não é simples. Dizer que um aluno é competente pouco significa. Pois a competência só se torna visível através de ações competentes. Daí a importância de desenvolver escalas baseadas em critérios com graduação de notas.
Por exemplo, uma competência deveria ser avaliada com base num número x de ações realizadas com sucesso, podendo esse sucesso variar em percentagem, independentemente do seu valor matemático. Assim, um aluno pode ter atingido um determinado nível de sucesso sem, por isso, ser penalizado num boletim oficial, com a vantagem inegável de ver as suas competências progredirem ao longo de um ano letivo.
SÉC significativas
Várias abordagens propostas nos sites de referência citados no final deste artigo são características das expectativas em relação ao envolvimento dos alunos na atividade de aprendizagem, atividade que conduz a tomadas de consciência significativas da sua parte.
No entanto, para a avaliação de uma ou mais competências com base em componentes essenciais, será necessário, acima de tudo, colocar o aluno perante um problema que terá de resolver utilizando os conhecimentos adquiridos e mobilizando os recursos disponíveis. Parece que, por enquanto, colocamos os alunos em situações significativas, mas para, em seguida, avaliarmos apenas os seus conhecimentos.
O âmbito dos meios de certificação está amplamente em aberto, uma vez que a procura de critérios discriminatórios para a avaliação de competências a nível escolar está longe de estar concluída.
Para consultar
O site PISTES da Faculdade de Educação da Universidade Laval.
RECIT - Integração das tecnologias para os alunos
Carrefour-Éducation
Québec Science-Pedago
Ilustração: skeeze - Pixabay
Referências
Gurtner, J.-L. 1996. O contributo de Piaget para as tecnologias educativas. Em: Atas do Colóquio Internacional Jean Piaget, Tunes: abril de 1996.
http://tecfa.unige.ch/tecfa/teaching/aei/papiers/Gurtner.pdf
Laurier, M. D. Avaliar competências: não é assim tão simples… Formação e Profissão, abril de 2005.
http://www.crifpe.ca/download/verify/224
Le Boterf, G. Avaliar as competências: Que juízos? Que critérios? Que instâncias? Educação Permanente, n.º 135, 1998-2.
http://www.education-permanente.fr/public/articles/articles.php?id_revue=135
Legendre, Marie-Françoise, «Capítulo 1. O conceito de competência no cerne das reformas curriculares: moda passageira ou motor de mudanças profundas?», emCompetências e conteúdos. Os currículos em questão. Louvain-la-Neuve, De Boeck Supérieur, «Perspetivas na educação e formação», 2008, pp. 27-50.
Perrenoud, P. «Avaliar as competências». Publicado na revista *L’Éducateur*, n.º especial «A nota no contexto da avaliação», março de 2004, pp. 8-11.
https://www.unige.ch/fapse/SSE/teachers/perrenoud/php_main/php_2004/2004_01.html
Governo do Quebeque, Ministério da Educação, Lazer e Desporto.A Renovação Pedagógica. Depósitolegal — Biblioteca Nacional do Quebeque, 2005.
http://fcsq.qc.ca/fileadmin/medias/PDF/452755.pdf
Veja mais artigos deste autor