Os jogos sérios concebidos por equipas de jornalistas são bons para transcrever situações da vida real com base em relatórios, análises no local ou simplesmente em dados. J++ é um grupo de trabalhadores da informação, sediado em Estocolmo e no Porto, especializado em dados. Com base no seu trabalho, desenvolveram um jogo sério que coloca o jogador no centro da política municipal moderna. O objetivo é abordar a delicada questão da corrupção.
O difícil ato de equilíbrio
Neste jogo de notícias, o jogador assume o papel de chefe de gabinete num departamento governamental. A sua função é ajudar o presidente da câmara de uma cidade não especificada a tomar decisões. É uma tarefa árdua, pois tem de fazer malabarismos com as finanças e as várias personalidades da cidade. Os empresários e amigos do presidente da câmara colocam frequentemente o jogador perante dilemas.
Deverá tomar uma decisão que desagrade aos industriais e arriscar-se a ser despedido? Deve favorecê-los, correndo o risco de prejudicar a sua vantagem política se forem descobertos?
Já para não falar dos riscos jurídicos dos conflitos de interesses, que podem ser lucrativos mas acabar na prisão. Os níveis de risco aumentam com cada decisão, aumentando a probabilidade de um final de jogo. O objetivo é sobreviver ao mundo político de 1993 a 2013. Uma missão difícil de cumprir.
Situações retiradas da realidade
É preciso dizer que o fracasso é quase inevitável, mesmo que se actue da forma mais ética possível. O jogo, baseado em experiências vividas na Suécia, nos Países Baixos, no Quebeque e na Alemanha, tem por objetivo mostrar que a corrupção municipal não é apenas uma questão de um indivíduo que age mal.
Em suma, é uma experiência muito interessante - e cínica - para ser experimentada como cidadão ou estudante de ciências políticas, para provocar reacções e debates.
Le Bon, la Brute et le Comptable - disponível em 6 línguas
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