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Publicado em 16 de novembro de 2022 Atualizado em 17 de novembro de 2022
A pessoa que quer aprender japonês logo se depara com uma tarefa aparentemente irredutível: a de aprender 2.136 kanjis (a lista jōyō kanji, que contém os caracteres usados em meios editoriais). Para um usuário do alfabeto latino, com parcas 26 letras, a perspectiva de um dia conseguir ler e escrever quase mil vezes esta quantidade de ideogramas é vertiginosa.
Esta é (apenas) a sétima vez que tento aprender a língua dos meus ancestrais. Após um “trauma” inicial - a lembrança do meu pai perdendo a paciência ao me ver hesitar na leitura de um hiragana (nem mesmo um kanji) - meu eu de cinco anos concluiu que o japonês não era para mim. Porém sempre carreguei o peso do analfabetismo, e a vergonha de não passar de um nível de comunicação rudimentar. Assim, continuei tentando ao longo dos anos, começando e parando cursos ou estudando sozinha.
Um encontro fortuito com dois livros (e uma motivação extra, a de ler livros sobre café e chás japoneses) me deu um élan para retomar os estudos e duas semanas depois reter o significado e a escrita de cerca de 200 kanjis: ‘O mestre ignorante’, que conta uma aventura intelectual, e ‘Remembering the Kanji’, que propõe um aprendizado alternativo dos kanjis. As ideias destes dois livros tem alguns paralelos, que podem servir como inspiração para novas aprendizagens.
O mestre ignorante apresenta as ideias de Joseph Jacotot, um professor de literatura francesa do século XIX que não sabia o holandês. Seus alunos não sabiam francês mas queriam aprender com ele. Para contornar este problema, ele fez uso de uma “coisa comum” nas duas línguas, uma edição bilíngue do livro As Aventuras de Telêmaco. O professor incitou seus alunos a lerem a primeira parte do livro, recontar o que leram, e fazerem o mesmo para a metade final. Esperando resultados ordinários, Jacotot se surpreendeu pela qualidade dos textos produzidos.
Até então um professor tradicional, o feito alcançado por seus alunos, a de aprender sem explicação do professor, motivou-o a dedicar-se à "emancipação intelectual”. Para ele, o sistema tradicional era “emburrecedor”, pois tornava o aluno dependente das explicações do professor, que decidia o que deveria ser aprendido e quando, sempre mantendo uma posição superior por “saber mais” do que aquele a quem ensinava.Jacotot e Heisig refletiram sobre seus resultados e definiram alguns pressupostos para seus trabalhos.
A emancipação intelectual de Jacotot valeu-se das seguintes proposições:
as pessoas são iguais em inteligência (mas têm vontades diferentes; cada uma é uma vontade servida por uma inteligência)
cada um tem a capacidade de instruir a si mesmo
tudo está em tudo
aprender não passa de compreender e falar uma nova língua
E Heisig propôs os seguintes critérios sobre a escrita dos kanjis:
é possível aprender a escrever independentemente de qualquer outro aspecto da língua
a melhor ordem para o aprendizado é aquela que facilita a memorização, e não a ordem de frequência seguida por escolas japonesas
aprender a escrever e a ler os kanjis ao mesmo tempo é contraprodutivo: a leitura é muito menos regida por princípios lógicos, sendo deixada para um segundo tempo
Enfim, Heisig e Jacotot confiaram em suas observações e experimentaram outras formas de aprender e ensinar. Mesmo que seus métodos não sirvam a todos, suas histórias demonstram que nem sempre os sistemas estabelecidos são aqueles mais eficazes, e que experimentando e observando é possível encontrar meios mais apropriados para que a inteligência sirva as mais variadas vontades.
Referências
Remembering the Kanji - James W. Heisig
https://en.wikipedia.org/wiki/Remembering_the_Kanji_and_Remembering_the_Hanzi
Le Maître ignorant - Jacques Rancière
https://fr.wikipedia.org/wiki/Le_Ma%C3%AEtre_ignorant
La personne, le maître et l'expérience - Denis Cristol
https://cursus.edu/fr/21783/la-personne-le-maitre-et-lexperience
L'enseignant à l'épreuve de l'autodidaxie - Martine Dubreucq
https://cursus.edu/fr/7765/lenseignant-a-lepreuve-de-lautodidaxie
https://cursus.edu/12356/je-ny-connais-rien-et-cest-pour-ca-que-je-peux-vous-former
Joseph Jacotot et le principe de l’abrutissement éducatif - Denys Lamontagnehttps://cursus.edu/fr/7146/joseph-jacotot-et-le-principe-de-labrutissement-educatif
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