Publicado em 17 de abril de 2024Atualizado em 17 de abril de 2024
A avaliação das escolas ou a gestão da educação
Uma política de quebra-cabeças que está a semear dúvidas no sector da educação
As escolas sempre tiveram de mostrar as suas credenciais àqueles que as financiam, no todo ou em parte. Os inspectores escolares desempenharam um papel essencial na limitação de potenciais abusos ou problemas graves. Uma apólice de seguro que parece necessária, nomeadamente nas escolas primárias e secundárias. Uma avaliação que se pretendia objetiva e afastada da política. Só que as coisas estão a mudar em França e há quem esteja preocupado.
Xavier Pons, sociólogo da política educativa, deu uma conferência em setembro de 2023 no Sindicato Nacional Unitário dos Institutos, Professores das Escolas e PEGC (SNUipp) para discutir aquilo a que chama "a política do puzzle". Parece que, desde 2017, o governo francês tende a jogar a carta das pequenas transformações que se acumulam para transformar o sistema de ensino primário. A ideia é criar um sistema que permita a inovação e a autonomia das escolas... e, ao mesmo tempo, controlar mais o que se passa no seu interior.
Este paradoxo não é único no mundo e pode ser comparado, em parte, ao sistema britânico. O problema, segundo o sociólogo, é que leva à liberalização das escolas, que são colocadas num contexto competitivo.
Assim, uma escola do mesmo bairro recebe mais dinheiro do Estado, porque está mais de acordo, segundo os "seus" critérios, com o que é esperado. Assim, tanto os professores como os directores dão por si a jogar um jogo de Tetris educativo, respondendo a diferentes ordens do governo sem pensar no panorama geral.
É difícil medir a diferença entre o que pensamos ser verdade e o que é verdade. Isto é ainda mais acentuado quando se trata de nós próprios. Este desfasamento, entre a autoavaliação das nossas competências e as nossas competências reais, está no centro do trabalho apresentado neste artigo e realizado por Ludivine Jamain, que se interessa pelos enviesamentos da autoavaliação das competências dos alunos em Francês e Matemática.
Polémica nos meios de comunicação social, empregados queimados, raiva dos pais, jovens castigados, processos judiciais... as redes sociais são sociais, não privadas. Conselhos para uma boa gestão.
Alguns factores têm um impacto negativo na aprendizagem dos alunos. No entanto, é também uma questão de contexto; mesmo que existam provas do efeito negativo de certas realidades, como a poluição atmosférica, outras merecem ser abordadas tendo em conta os elementos contextuais.