Publicado em 03 de março de 2026Atualizado em 03 de março de 2026
Seremos cúmplices da nossa própria dominação?
Uma melhor compreensão do conceito de servidão voluntária
Porque é que obedecemos a poderes que consideramos desconexos ou mesmo tirânicos? No século XVI, Étienne de la Boétie escreveu um pequeno panfleto que foi distribuído sob a capa durante o período da gabelle, um imposto sobre o sal, criando um enorme descontentamento em França.
Foi após a sua morte que o seu amigo, Michel de Montaigne, mandou publicar o texto de cinquenta páginas, escrito quando era adolescente e que afirmava que o próprio povo se colocava numa posição de servidão, conhecida como servidão voluntária. Mas porquê? Segundo de Boétie, por três razões.
Em primeiro lugar, é uma questão de hábito. Se nos habituámos a acreditar que a ordem natural das coisas é ser submisso, será difícil pensar de forma diferente.
A segunda é o entorpecimento das pessoas através de jogos, divertimentos e comida, entre outras coisas. Isto era verdade no tempo dos romanos com os gladiadores e o capitalismo moderno baseia-se em desejos interpretados como necessidades que nos fazem esquecer toda a estrutura de dominação.
O ingrediente final desta servidão é o interesse pela submissão. Tipicamente, os tiranos rodeavam-se de lacaios que controlavam os outros, e assim por diante. O objetivo é criar "a ideia de que há algo a ganhar ao jogar o jogo da submissão", tendo a oportunidade de ganhar poder sobre os outros.
É por isso que as autoridades temem a igualdade social, que, para La Boétie, contribui para corroer a dominação existente. Ir ao encontro dos outros, desenvolver a solidariedade e, sobretudo, recusar o estatuto de dominado contribuiria para corroer progressivamente a estátua do poder.
Ideia contra-intuitiva: a criatividade pode ser exacerbada pelas restrições e não limitada por elas. Através de vários exemplos, como o formato Pecha Kucha, o salvamento da missão Apollo 13, o desenvolvimento dos jogos de vídeo nos anos 80, e até mesmo na educação, foi demonstrado que os limites impostos forçam a inovação e a concentração.
A microaprendizagem permite obter uma aprendizagem completa em curtos períodos de tempo. Mas como é que se pode tirar o máximo partido disso? Várias abordagens, dois princípios.
Por detrás de uma retórica de benevolência, algumas instituições sacrificam os seus melhores funcionários para preservar um certo conforto interno. Girard, Freyd e Dejours esclarecem este mecanismo: escolhe-se o bode expiatório, valida-se a calúnia, nega-se a competência. O verdadeiro manipulador institucional não é aquele que mente, mas aquele que escolhe acreditar.
Para além das grandes organizações, existem milhares de grupos e redes locais com filiais locais que oferecem a todos, mesmo na cidade, a possibilidade de fazer algo para melhorar o seu ambiente e para contrabalançar os industriais e políticos insensíveis ou corruptos.