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Publicado em 10 de outubro de 2010 Atualizado em 23 de setembro de 2025

Uma enciclopédia virtual de filosofia, longe do modelo da Wikipédia

Um recurso crítico e dinâmico

Edward Zaita - editor sénior - e John Perry, fundador da Enciclopédia Stanford para a Filosofia, dizem-no alto e bom som:"Esta enciclopédia é o oposto da Wikipédia".

Será por se tratar de um livro em papel? Não, é totalmente em linha. Tem de ser paga? De forma alguma, todos os artigos estão disponíveis gratuitamente. É restrito? Sim, não é universal, mas contém 1200 entradas que abrangem os principais filósofos, correntes filosóficas e questões éticas. Não é actualizada com frequência? Pelo contrário! Basta visitar a secção "Novidades" para ver que todos os dias é melhorado um artigo.

A principal diferença entre esta enciclopédia em linha e a Wikipédia reside no seu sistema de redação: apenas especialistas estão autorizados a escrever artigos e a assiná-los.

Uma exigência absoluta de rigor

Neste artigo da Universidade de Stanford, ficamos a saber que Larry Sanger - cofundador da Wikipédia e filósofo - abandonou a famosa enciclopédia aos seus sócios precisamente porque não aprovava o princípio da edição por todos. Quando lhe perguntaram se conhecia algum exemplo de enciclopédia em linha credível, ele nomeou espontaneamente a Enciclopédia de Filosofia de Stanford.

Atualmente, 1.400 autores contribuem para o seu vasto conteúdo. No entanto, como explica Edward Zaita, estes investigadores não vão publicar os seus trabalhos sobre a filosofia da biologia ou sobre os direitos das crianças numa plataforma que pode ser modificada por qualquer pessoa. A filosofia exige rigor e investigação aprofundada.

Então, porquê adotar um modelo de enciclopédia virtual cujo conteúdo está em constante mudança? Afinal, será necessário atualizar regularmente artigos sobre Immanuel Kant, Platão ou Aristóteles, cujo pensamento e teses são conhecidos há anos, ou mesmo séculos? Pois bem, sim. Estes pensadores legaram ao mundo uma tal riqueza de pensamento que as análises que lhes são feitas estão em constante mutação. Portanto, é a interpretação que muda e que justifica actualizações regulares. As questões éticas estão ainda mais sujeitas a mudanças: reaparecem regularmente na atualidade, por exemplo, em questões relacionadas com a investigação em células estaminais ou com o lugar do laicismo nos modos de governo. A flexibilidade redatorial, que não se encontra nas enciclopédias em papel, constitui aqui uma vantagem considerável. Assim, esta enciclopédia filosófica tornou-se uma referência para os estudantes de filosofia e para os cidadãos interessados em questões morais e éticas.

700 000 visitantes por semana

Como Zaita e Perry explicam neste vídeo, isto explica as 700.000 visitas semanais. Quem visita esta enciclopédia encontra textos completos e bibliografias extensas, que são actualizadas regularmente. Além disso, os textos não estão repletos de hiperligações, o que Edward Zaita considera ser uma vantagem. Segundo ele, na Wikipédia,"todas aquelas ligações internas para saber mais sobre este ou aquele aspeto tornam a leitura ziguezagueante e um pouco caótica".

Fizemos um pequeno teste para comparar as duas enciclopédias de acesso livre na Web. Por exemplo, sobre Sócrates e a sua obra:

É certo que a versão da Wikipédia é mais ilustrada, mas há pelo menos uma dúzia de citações sem referências. Para além disso, o artigo da EM permite compreender melhor o contexto histórico da obra deste filósofo grego.

Outro exemplo, desta vez sobre um movimento filosófico.

O artigo da Wikipédia não está claramente completo, uma vez que o leitor é avisado de que deve ser reciclado para clarificar o conteúdo. Não é o caso do artigo da EM, que está bem estruturado, é exaustivo e inclui notas de rodapé para leitura posterior.

Não se trata de desvalorizar a Wikipédia, que continua a ser uma fonte essencial de informação inicial sobre um assunto para muitos curiosos e estudantes. Mas a Wikipédia não deve ocultar o facto de existirem também enciclopédias especializadas na Internet que respeitam os cânones académicos do rigor e da investigação.

É mérito dos editores do EM terem conseguido reunir tantos investigadores em torno de uma enciclopédia em linha, eliminando assim a principal crítica que se faz às enciclopédias tradicionais, nomeadamente a lentidão do seu processo editorial e de revisão. O editor sénior do SEP diz-se surpreendido por ainda não terem sido lançadas iniciativas semelhantes noutros domínios.

A nossa única crítica a esta enciclopédia rigorosa é o facto de só existir em inglês. Quando é que a comunidade filosófica internacional vai traduzir os artigos?

Enciclopédia Stanford de Filosofia

A Wikipédia, se fosse gerida por especialistas académicos, teria o seguinte aspeto, artigo da Universidade de Standford, 7 de setembro de 2010


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