Publicado em 18 de fevereiro de 2013Atualizado em 19 de janeiro de 2023
A tirania do tempo real
O efeito das tecnologias móveis na nossa vida quotidiana
O aumento na utilização de smartphones e comprimidos digitais contribuiu para acentuar duas grandes tendências no mercado das TIC, condensadas em duas siglas,ATAWAD ("AnyTime, Any Where, AnyDevice") e BYOD ("Bring Your Own Device", por vezes traduzido em AVAN, "Apportez Vos Appareils Numériques").
O primeiro acrónimo ATAWAD (registado por Xavier Dalloz em 2002), expandido por alguns autores para ATAWADAC (ATAWAD + Qualquer Conteúdo), refere-se à possibilidade de qualquer pessoa aceder ao conteúdo online, em qualquer altura, em qualquer lugar e com qualquer dispositivo nómada ou fixo, enquanto que o segundo descreve a utilização cada vez mais comum por cada funcionário do seu próprio dispositivo digital no trabalho.
Estes dois fenómenos contribuem sem dúvida para aumentar a porosidade entre as fronteiras pessoais e profissionais.
Os riscos do tempo real
Neste contexto, é fácil ver os benefícios que as empresas podem retirar destas duas tendências em termos de acessibilidade e desempenho dos seus empregados. Dito isto, como salientam os autores do Livro Branco intitulado "Que instrumentos de monitorização para o futuro?A tendência é mais para a hiper-reactividade do que reflexion".
Além disso, os vestígios navegacionais e documentais deixados por pessoas em redes digitais, particularmente plataformas decomputação em nuvem, através de ferramentas ATAWAD e BYOD, não estão isentos de graves problemas de segurança de dados para estas mesmas empresas, como os autores do Livro Branco também assinalam: "os serviços oferecidos pelo Google ou Dropbox, que permitem armazenar informação e ter acesso a ela onde quer que se esteja, são prejudiciais à protecção de dados. As empresas já não têm controlo sobre as suas próprias informações e estão inteiramente dependentes de empresas terceiras, que têm o direito de revisão sobre os dados armazenados".
O fenómeno ATAWAD reflecte-se também nas práticas de compra dos consumidores. Jean-François Lemoine e Olivier Badot falam sobre a "shazamização" da oferta, permitindo aos "consumidores satisfazer os seus desejos e necessidades, de acordo com as suas andanças físicas e emocionais, transformando-os em compras imediatas, mais ou menos locais" num contexto socioeconómico difícil. De acordo com os autores, os referidos consumidores "procuram por isso 'edredons para adultos' para re-encantar permanentemente a sua vida quotidiana com uma abundância de pequenos prazeres acessíveis", edredons que se encontram entre as características mais preocupantes das redes sociais.
Estas redes estão sujeitas aos riscos de tempo real, imediatismo, ubiquidade ou instantaneidade, para usar os termos de Paul Virilio, e isto pode ser visto, por exemplo, no Twitter: Alexandre Serres nota várias formas de infopoluição na ferramenta de microblogging (redundância informativa, infobesidade, vector de informação falsa) e um certo vazio de trocas dominado apenas pela dimensão fática.
O ORGANISMO na escola?
No seu blog, Jean-Marie Gilliot sugere algumas formas de adoptar BYOD nas escolas, para uma utilização mais positiva das tecnologias ubíquas. Num artigo dedicado à abordagem, o autor aponta um vídeo em inglês que resume os argumentos a favor de BYOD:
É portanto necessário ser realista: é verdade que o acesso em todo o lado e a todo o momento à informação e aos instrumentos de produção libertados das limitações da localização física é um factor potencial indiscutível para o progresso na integração inteligente das TIC na educação. Este potencial será realizado através de um comportamento racional, que demonstrará um desejo de separar o que ainda pode ser separado, nomeadamente o uso 'emocional' e pessoal das ferramentas digitais, da utilização para fins de aprendizagem formal.
LALANDE Marc-André. O ORGANISMO no século XXI. YouTube [online]. 4 de Junho de 2012. [Acedido a 14 de Março de 2014]. Disponível em: http: //youtu.be/SSXyfX8ABhA
LEMOINE, Jean-François, BADOT, Olivier. La " shazamisation " de l'offre : modalités, devenir et implications managériales. Management & Avenir [online]. 21 de Setembro de 2011. Vol. n° 44, n° 4, pp. 187-196. [Acedido em 14 de Março de 2014]. Disponível via Cairn
Se a visibilidade é adquirida, a presença é vivida. O que é a presença num indivíduo? Como é que a reconhecemos em nós próprios e nos outros? Que diferença faz para os oradores, formadores e artistas? Como é que a desenvolvemos?
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