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Publicado em 10 de julho de 2016 Atualizado em 16 de junho de 2026
Tal como qualquer forma de escrita, a poesia assume diversas formas de expressão. Existem formas clássicas que alcançaram o reconhecimento, como os alexandrinos de Racine ou os versos melancólicos de Émile Nelligan. No entanto, há também formas mais dinâmicas e modernas, como o slam.
Já vos tínhamos falado desta forma de arte que se integra perfeitamente num contexto pedagógico. Aliás, bibliotecários e profissionais da educação social estão agora a frequentar workshops de formação para integrar o slam em atividades pedagógicas. Este tipo de poesia é frequentemente associado ao muito apreciado estilo musical do rap, devido ao ritmo da recitação.
Além disso, há o seu lado livre e denunciante, que está na origem do sucesso de muitos slameiros em todo o mundo. Seja na Europa ou em África, todos reconhecem que este método de expressão pode transmitir importantes mensagens sociais. Aliás, no Burquina Faso, uma associação trabalha para integrar esta poesia no meio escolar, com o objetivo de proporcionar aos alunos uma forma de se expressarem sobre a sua sociedade. Os jovens malgaxes, por sua vez, podem participar, há dois anos, num torneio entre escolas de slam. Um torneio? Sim, porque muitas vezes esquecemo-nos disso, mas eis a particularidade do slam: trata-se de poesia desportiva.
Na verdade, desde a sua criação em 1987, o operário norte-americano Marc Smith queria encontrar uma forma de modernizar a poesia e transformá-la numa atividade desportiva. Nasceu o slam e, com ele, uma infinidade de torneios. A Taça do Mundo de slam chegou mesmo a realizar-se no final de maio, em Paris, no Théâtre de Verre. Eis a atuação de um slameiro que representou a França durante a competição. A qualidade da imagem é mediana, mas o foco está nas palavras.
No entanto, não foi ele quem venceu a competição, mas sim um grupo de jovens de Rodrigues. Como em qualquer desporto, existem algumas regras. As atuações não podem durar mais de 3 minutos. Caso contrário, há uma penalização de meio ponto. Um júri de cinco pessoas avalia os diferentes poemas. Em alguns casos, os membros são escolhidos aleatoriamente entre o público e o júri é renovado durante a competição.
Como explica a professora e presidente da Federação Francesa de Slam Poesia, Catherine Duval, é possível recitar qualquer coisa durante um concurso. Alguém poderia utilizar um texto clássico, mas seria penalizado em termos de originalidade. Assim, a maioria apresenta as suas próprias criações. E não é necessário sabê-las de cor. Basta que comovam os membros do júri.
Aberto a todos
Para a professora, o slam foi uma forma de aproximar os seus alunos da poesia. Porquê? Porque há um aspeto mais universal nesta arte oratória. Como mostra este artigo que aborda o fenómeno na capital do Quebeque, trata-se, ao contrário da poesia clássica, de abordar temas que são menos íntimos do poeta e mais ligados à realidade dos espectadores. Devido ao seu ritmo mais próximo da música, torna-se mais interessante de ouvir e até de ver, uma vez que se trata de uma verdadeira performance cénica.
Independentemente do método utilizado para promover o slam, há uma razão pela qual tantas pessoas procuram integrá-lo no ambiente escolar. Porque promove a expressão oral (e escrita) dos alunos. Estes percebem assim as possibilidades infinitas de expressar emoções e perceções, tanto negativas como positivas.
Ilustração: dmnkltnr via Fonte / CC BY-NC-ND
Referências
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Slam com Élémo - https://www.youtube.com/@marcolivierslam
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