Querer mostrar o que se faz, o que se sabe fazer; partilhar uma emoção, uma história, fazer sonhar; criar um momento de comunhão, animar, mobilizar, perturbar ou, simplesmente, divertir-se com algumas pessoas ou com uma multidão... todos os pretextos servem para um espetáculo.
Na educação, alguns professores sabem inserir momentos mais próximos da representação do que de uma apresentação pedagógica fria. Nesses momentos, acontece algo especial: a atenção do grupo funde-se num momento coletivo, ao longo de uma emoção partilhada. É claro que estas atividades não constituem o essencial do ensino, mas integram-se nele e aumentam a eficácia da pedagogia.
Mas o que leva uma pessoa ou um grupo a destacar-se, a arriscar-se ao julgamento dos outros, a arriscar-se à crítica? O espetáculo não é uma competição, mesmo que certas competições sejam transformadas em espetáculos. O mundo do espetáculo ocupa hoje um lugar de destaque, ainda mais nos ecrãs, com o dinheiro e o estrelato que o acompanham para aqueles que assumem os seus códigos.
Para os outros, apresentar um espetáculo assenta noutras motivações, algumas quase vitais, ligadas à nossa natureza social, às nossas considerações estéticas ou intelectuais, e que só ganham sentido se forem partilhadas, comunicadas e trocadas, para além das intenções comerciais, pelo puro prazer artístico de provocar um efeito.
E os espectadores, o que os leva a ir ver espetáculos? Desde voos de drones até óperas, do circo aos festivais, do recital à jam session espontânea... todo o tipo de espetáculos comove-nos, interessa-nos, surpreende-nos, faz-nos refletir e une-nos. É aí que reside parte do interesse daqueles que desenvolveram… o sentido do espetáculo.
Denys Lamontagne - [email protected]
Ilustração: Shutterstock - 2543869405