Tudo está a mudar, em todos os momentos e em todos os lugares. A nossa sociedade está a mudar cada vez mais depressa graças aos progressos da ciência e das novas tecnologias. O mesmo se passa com a língua: muda, moderniza-se, adapta-se e modifica-se com os tempos, as modas e as épocas.
Atualmente, a língua francesa tornou-se monótona, parecendo ser uma das línguas menos cantantes do mundo. O vocabulário, a sintaxe, a gramática e a ortografia evoluíram.
Por um lado, temos os puristas, aqueles que continuam a resistir e a defender a língua francesa. Do outro, temos os evolucionistas, que acompanham os tempos e a história do mundo.
E tu, de que lado da força estás? É mais um purista ou um evolucionista? Reflexão sobre a evolução da língua francesa...
Um pouco de história
O dia 14 de julho de 842 é uma data a recordar na história da língua francesa, pois é a data em que aparece o primeiro texto escrito em língua românica, o "proto-francês". Os Sermões de Estrasburgo são manuscritos de extrema importância geopolítica, pois tratam da divisão do império de Carlos Magno entre os seus netos, incluindo a parte do reino que viria a ser a França.
O jogo das conquistas desempenha um papel importante na história da língua francesa, e sugiro que se informe mais consultando um dos meus artigos anteriores intitulado La réforme évolutive de la langue (abril de 2016).
Em suma, o francês nunca deixou de se recriar para evoluir. Do românico ao francês antigo e ao francês contemporâneo, a língua percorreu um longo caminho!
Evolucionistas
A língua francesa sempre despertou paixões e inflamou os espíritos, a começar em 1549 com um pequeno grupo de literatos conhecido como La Pléiade (incluindo Ronsard e Du Bellay), que publicou uma obra intitulada Défense et illustration de la langue française (Defesa e ilustração da língua francesa). O seu objetivo era proteger a nova língua unificada, em resposta ao latim ainda muito utilizado na época. Neste sentido, os membros da Pléiade eram evolucionistas, progressistas e até anarquistas. Queriam abandonar o vernáculo da época (o latim) em favor da língua popular, o francês.
A criação da Academia Francesa, em 1635, pelo Cardeal de Richelieu, seguida da criação da Enciclopédia, em 1751, pelos filósofos Diderot e D'Alembert, continuará a ancorar definitivamente esta "nova língua", o francês. O Século das Luzes foi resolutamente evolutivo, não só em termos de ideias, mas também em termos de linguagem. Prova disso é o aparecimento de novos termos, a começar pelos nomes dos meses, que foram alterados na sequência da Revolução Francesa de 1789 (brumaire, thermidor, vendémiaire...).
Puristas
Mas foi sempre assim? Não! Nem toda a gente é evolucionista, e é precisamente esse o debate e a tese impulsionados pela Querelle des Anciens et des Modernes no final do século XVII em toda a França literária, linguística e artística!
Neste caso, não se tratava de ter um espírito aberto e de seguir a corrente. Os Antigos (liderados por Boileau e Racine) opõem-se aos Modernos (liderados por Perrault) e defendem um francês conservador e purista, longe de toda a "modernidade decadente". Quem ganhou a batalha? Ninguém, ou pelo menos não concretamente, uma vez que se chegou finalmente a um compromisso em 1694, quando se afirmou que "o século de Luís XIV brilha através das obras daqueles que ultrapassaram os 'antigos' para além das suas obras, apoiando-se no génio da língua e do próprio século". Pascal salienta também que aqueles a que chamamos antigos eram modernos no seu tempo. Isto diz tudo: 1-1, nível de pontuação.
E não se fica por aqui.
A Academia Francesa e os protectores da língua continuam a opor-se com orgulho às incongruências linguísticas que surgiram desde então. Entre a reforma da ortografia, da gramática e do vocabulário... os detentores do saber da língua têm o seu trabalho facilitado, o que lhes valeu muitas vezes a alcunha de "dinossauros" da língua francesa! Recentemente, em 2017, o grande debate foi sobre a escrita inclusiva ("a resposta" para as desigualdades linguísticas entre homens e mulheres), seguido do questionamento da concordância do particípio passado, iniciado pelos nossos vizinhos belgas. Não há falta de temas.
E amanhã?
A língua francesa está a evoluir, a ser criada e transformada. Claro que o ideal é saber adaptar a nossa língua aos nossos interlocutores, mas nem sempre é fácil encontrar as palavras certas no momento certo.
Ser capaz de o fazer permite-nos reconhecer aqueles que dominam verdadeiramente a língua, aqueles que sabem popularizá-la e adaptá-la, falar tanto em termos eruditos perante um público de enarques como perante uma turma de crianças da escola primária. Estou a pensar, em particular, em Hubert Reeves, o grande astrofísico canadiano (nascido em 1932), cuja ciência e sabedoria já não precisam de ser demonstradas. Escreveu vários livros científicos popularizados, como "L'univers expliqué à mes petits-enfants" (O universo explicado aos meus netos), em 2011, cujo título mostra bem o alcance desta obra!
E então, evolucionista ou purista? Quer seja purista ou evolucionista, todos nós falamos francês. Depois, é só uma questão de adaptação!
Ilustrações
Livres de la Pléiade, https://pixabay.com/images/id2606859/
A liberdade a guiar o povo, Delacroix, https://pixabay.com/images/id63022/
Hubert Reeves encontra-se com crianças em idade escolar, Petite République,
https://images.app.goo.gl/Kj4YgjbQ25QAL8QXA
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