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Publicado em 27 de novembro de 2024 Atualizado em 27 de novembro de 2024

As escolas devem ensinar ou combater a "história nacional"?

Um assunto que tem sido objeto de debate desde há muito tempo

O quadro de Napoleão a coroar Josefina

O que é a História? Se tivéssemos de a definir resumidamente, seria a sucessão de acontecimentos que conduziram à nossa época. Mas isso seria ignorar todas as subtilezas da História. Porque a história não é feita apenas de grandes momentos. É também feita de épocas turbulentas ou por vezes muito calmas, em que as pessoas se adaptaram à vida de acordo com o seu estatuto social, as tecnologias existentes, etc.

A definição de história é também complicada pelo seu objetivo. Qual é o objetivo de a conhecer? Mesmo neste ponto, os especialistas não estão de acordo. É o caso da noção de "narrativa nacional" ou "história nacional", muito debatida na sociedade civil, uma vez que se trata de saber como (ou não) ensiná-la nas escolas.

A necessidade (ou não) de uma história comum

Este debate só se intensificou na última década. Em França (e não só), a questão da história com "H" maiúsculo é objeto de um grande debate e é frequentemente tomada como um indicador da visão política daqueles que a defendem.

À direita, a ideia é clara: a história deve unir os povos sob uma narrativa gloriosa, para favorecer o sentimento de pertença. O Rassemblement National, por exemplo, quer um programa educativo único, centrado na nostalgia, no passado incrível da França e nas suas conquistas, tanto sob os reis como sob Napoleão Bonaparte. Um trabalho deste género já tinha sido feito por Ernest Lavisse, o pai do romance nacional da Terceira República. Foi ele que inventou muitos dos clichés que ainda hoje se encontram por aí, como os antepassados da Gália, a grandeza de Clóvis, etc.

A esquerda critica esta abordagem romantizada da história, que deixa de fora partes importantes do passado e se concentra apenas nos aspectos mais positivos. Para eles, tudo isto parece ser uma instrumentalização do passado para promover o chauvinismo e uma visão conservadora do mundo. A ideia é apresentar constantemente aos alunos acontecimentos e momentos sem nunca os colocar num contexto mais global e plural.

Ainda hoje, a questão da colonização dos países africanos pela França é vista nos manuais escolares de uma forma largamente positiva. Isto sem explicar as realidades, por exemplo na Argélia, de alguns povos que suportaram a presença francesa e de outros que não gostaram dela, de como era a nação antes da colonização, etc. Assim, para estas pessoas, a história deve ser plural, tal como o passado humano o foi em todo o mundo.

O Canadá também viveu este tipo de debate com o conceito de um único livro de história, que não teve a aprovação unânime dos historiadores.

Por conseguinte, tudo o que tem a ver com a história suscita polémica entre os dois países. Os primeiros sublinham que é essencial construir uma narrativa colectiva, que pode ser uma força vinculativa importante hoje em dia. Não se trata necessariamente de apagar outras realidades, mas de as realçar, como o Quebeque gostaria de fazer com o seu Musée national de l'histoire du Québec. Os quebequenses temem que isso sirva para hierarquizar as histórias e declarar uma mais importante e dominante do que as outras. Que isso não contribuiria em absolutamente nada para aproximar as pessoas, muito pelo contrário.

A importância da ciência histórica

É difícil dar sentido a este debate, sobretudo para um sistema escolar que pretende formar cidadãos, mas que deve também submeter-se a vontades e ditames políticos. Tanto mais que, mesmo à esquerda, se fala de história popular, de uma narrativa plural, compreensível e divertida para todos. Voltemos a uma ideia fundamental: a história é uma ciência. Parece que nos esquecemos disso, mas ela é povoada por investigadores que, tal como nas ciências da vida ou na física, fazem regularmente descobertas que melhoram em parte o nosso conhecimento do passado. Como salienta Maxime Laprise, doutorando em História, o problema dos defensores da "narrativa nacional" é que transformam uma ciência num discurso.

David Gaussen gostaria mesmo que desdemonizássemos a ideia de narrativa nacional porque, mais uma vez, ela mudou ao longo do tempo. Em França, foi monárquica, depois republicana e agora assumiu uma dimensão mais global. Para ele, não há nada de errado com o próprio princípio de uma narrativa, pelo contrário. Por outro lado, o romance deve ser construído com todos os actores da sociedade contemporânea, numa visão do nosso tempo. Não faria sentido regressar ao regime napoleónico ou aos Trinta Anos Gloriosos, como alguns pretendem, quando nos aproximamos do quarto do século XXI.

É talvez esta a posição que as escolas deveriam adotar: ensinar uma narrativa, claro, mas recordar-nos que ela é tudo menos estática. Que os novos conhecimentos acrescentam subtilezas. Que nem toda a gente viveu certos períodos da mesma forma e que poucas figuras históricas foram unânimes.

Esta pluralidade não nos impede de desenvolver uma base sobre a qual contar a história do desenvolvimento de um território como a França, o Quebeque, a Bélgica, os Camarões ou a Costa do Marfim, mas respeita a história como uma ciência que evolui através das nuances fornecidas pela investigação.

Imagem: user1469083764 from Pixabay

Referências:

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