Publicado em 07 de maio de 2025Atualizado em 07 de maio de 2025
O consentimento pode realmente ser legislado?
Uma questão política importante
A questão do consentimento tem vindo a ser repetidamente abordada nos últimos anos. Obviamente, o movimento "Me Too" tem muito a ver com isso, mas o julgamento de Mazan em 2024 também foi um choque. Muitas organizações feministas francesas voltaram a sua atenção para Espanha, que decidiu adotar uma lei que se resume a "só sim significa sim". À primeira vista, a ideia parece interessante, uma vez que procura eliminar as zonas de ambiguidade em que se apoia frequentemente a defesa dos agressores.
No entanto, como explica Clara Serra nesta entrevista, se a proposta não é má em si mesma, levanta outras questões. Em primeiro lugar, baseia-se numa visão muito igualitária do consentimento, esquecendo que vivemos em sociedades onde ainda existem bastantes desigualdades sociais que tornam quase impossível a ideia de uma igualdade perfeita entre as pessoas. Depois, a lei e esta visão do consentimento ligada ao desejo dão origem a outros problemas. Por outras palavras, as relações baseadas no desejo entusiástico seriam apenas legais. E as mulheres que fizeram do sexo a sua profissão? As trabalhadoras do sexo e as actrizes da indústria pornográfica são "ilegais"?
Para o filósofo espanhol, pode haver consentimento sem o desejo louco da mulher. Isso não conduz sistematicamente à violação. A legislação deve ter mais em conta a vontade do indivíduo. É por isso que, por exemplo, existem leis contra actos sexuais com menores. Embora os menores possam ter um desejo, não são considerados capazes de expressar todos os seus desejos relativamente à relação.