Publicado em 02 de agosto de 2023Atualizado em 02 de agosto de 2023
A busca do bem-estar, por vezes tóxica
Como podemos ser equilibrados num mundo de injunções contraditórias?
A questão do bem-estar nunca esteve tão presente. Na televisão, na rádio, nas revistas e na Internet, está em todo o lado, em todas as suas formas. Aparece bem nas redes sociais e é muitas vezes alvo da inveja dos subscritores. No entanto, como salienta Grégory Pouy neste discurso proferido no TEDxNantes, parece haver algo de pouco saudável nesta injunção ao bem-estar.
Precisamos de ser produtivos, mas também de ter tempo para nós próprios. É preciso conseguir conciliar vida familiar, carreira e cidadania sem esquecer de incluir na agenda sessões de ioga e tempo para cozinhar boa comida. É preciso relaxar, e há guias que nos ajudam a fazê-lo em poucos minutos. De facto, como refere com humor este apresentador do mundo do marketing, num mundo que fala incessantemente de bem-estar, ele parece estar a concentrar-se mais em viver bem. É uma abordagem completamente diferente, que dá a ilusão de equilíbrio, sem responder realmente às necessidades reais das pessoas.
Para ele, a solução não está neste equilíbrio faccioso que mais parece inércia, mas num movimento constante em direção ao que é verdadeiramente desejado. Quer ter tempo para desenvolver um negócio, ler livros, gravar um podcast, escrever um romance ou viajar pelo mundo? Então, porque não dar o salto, mesmo que isso signifique não corresponder às expectativas físicas, psicológicas e sociais actuais?
A cultura da ubiquidade, do voyeurismo e do aumento da extimidade amplifica o âmbito dos crimes, mesmo a banalização da sua representação. Os tempos de troca e distanciamento deste magma informativo são certamente úteis para estabelecer diálogos e decifrar as propostas e visões das sociedades que se exprimem muito livremente. Há necessidade de discutir o que se vê na rede e de lhe dar sentido.
Os grupos aumentam o poder de ação de cada indivíduo, desde que se evite a sobrecarga mental resultante de fluxos de trabalho colectivos mal coordenados.
Os enviesamentos cognitivos são mecanismos evolutivos que permitiram à humanidade sobreviver, decidir rapidamente e poupar energia. Como é que os podemos ter mais em conta na educação?