Uma tecnologia é concebida com o objetivo de cumprir uma função. Quanto mais útil for a função, mais rapidamente se difunde. Quanto mais poderosa for, mais poder confere a quem a domina. Por exemplo, quem tem acesso à inteligência artificial tem mais poder de organização e pode fazer melhores escolhas. Uma vez que mais de metade da população mundial tem acesso à Internet, em princípio também tem acesso à I.A. O potencial da inteligência artificial existe e o seu poder só irá aumentar.
A ideia de adquirir mais poder é certamente apelativa. Se o armeiro que sabia forjar uma espada era importante para o rei e para o seu exército, o que podemos dizer hoje dos que sabem fazer I.A.? São cortejados por todos os governos! Quando se podia falar com o ferreiro, sabia-se o que ele fazia, mas quando nem sequer se sabe como uma I.A. chega às suas conclusões, há motivos para preocupação. O âmbito da questão do controlo da I.A. é enorme.
Quais são as condições em que as tecnologias permanecem ao serviço da humanidade e quais são as condições que lhes permitem deslizar para uma arrogância descontrolada? A arrogância não é da I.A., mas sim daqueles que possuem a tecnologia. Cabe-nos a nós não deixar que eles nos levem no seu delírio.
De momento, a utilização da tecnologia nas escolas é muito diferente da que é feita no quotidiano dos alunos; destina-se a fins educativos e é mais diversificada. As metodologias, as ferramentas e o saber-fazer são partilhados com a ambição de pôr a tecnologia ao nosso serviço, e vão muito além de ganhar mais dinheiro, votos ou cliques. A cultura, a investigação, a organização, a ciência, as ciências sociais, praticamente todos os domínios podem beneficiar se aprendermos a utilizá-las.
Quais são as tecnologias que partilhamos? Quais as tecnologias que nos dão mais controlo? O assunto é vasto... A legitimidade, a confiança, a alegria e a criatividade não podem ser decretadas nem programadas, mas é possível criar as condições para que apareçam e submeter a I.A. e as tecnologias em geral a elas.
Boa leitura!
Denys Lamontagne - [email protected]
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