As propriedades da regularidade são bem conhecidas, tanto no mundo académico como no mundo do trabalho: facilita a coordenação e a concentração, permite uma domesticação gradual, promove uma certa disciplina e aumenta o alcance das actividades através da sua previsibilidade, além de eliminar as oportunidades de dissipação. Mas demasiada regularidade torna as coisas aborrecidas, o que, num contexto educativo, está longe de ser o ideal.
Embora a regularidade proporcione um enquadramento tranquilizador, este enquadramento pode felizmente incluir um certo nível de imprevisibilidade. O inesperado continua a ser aceitável desde que não estrague o enquadramento, o que estabelece o limite para o imprevisto que pode ser integrado. Mas teremos sempre o prazer de nos livrarmos de um quadro opressivo e de o substituir por um mais flexível.
Vimos que o teletrabalho não permite uma sincronização tão fácil como a presença de todos os actores no mesmo local; o "quando eu quero, onde eu quero" é dificilmente compatível com as exigências de um grupo, qualquer que ele seja. É claro que também é possível coordenar à distância, mas nunca de uma forma tão cativante. Os horários cruzados são a imagem de marca dos diários dos teletrabalhadores.
No mundo físico, a regularidade leva à sincronização: ao fim de algum tempo, um grupo acaba por adotar um ritmo que está em fase, desde que haja comunicação entre os elementos. Esta sincronização é mesmo um indicador de afinidade: só é possível com frequências regulares. Dançar com um parceiro, escrever uma carta ou viajar juntos torna-se mais fácil quando as regularidades são mantidas. Não dizemos "estar na mesma frequência"?
Há mais de 25 anos que o Thot Cursus é publicado todas as semanas. A nossa regularidade significa que sabe que continuaremos a estar cá na próxima semana e no próximo ano. Este quadro incentiva os nossos redactores a cumprirem os prazos e garante uma produção variada. O leitor aprecia isso, e nós também, ao iniciarmos mais um ano.
Boa leitura!