Uma descoberta ocorre quando a resistência cede à pressão. No domínio intelectual, a pressão é criada pelo desejo de compreender e aprender. Os estudantes trabalham arduamente para chegar a uma compreensão e, de repente, tudo parece óbvio; para os investigadores, os dados respondem finalmente a uma lógica e é alcançada uma descoberta... Eureka. Em muitos desportos, quando um atleta ultrapassa um determinado limiar, o sucesso segue-se ao sucesso. Numa empresa ou numa instituição, a conjugação de esforços acaba por produzir resultados e começa uma nova era. Em todos os casos, a pressão é exercida no início. Vontade, interesse, ambição.
Compreendemos que a rutura raramente é gradual, mas sim súbita, e é precedida de vários sinais de alerta, entre os quais o desânimo. O desânimo não é apatia, é uma tomada de consciência de que "não vamos conseguir se continuarmos assim", o que nos leva a mudar alguma coisa.
Quando os meses de esforço são recompensados, há alívio, abrem-se novas perspectivas, nada será como antes. O orgulho e o prazer de ver um aluno desabrochar e enfrentar novos desafios com confiança são a prova disso. A energia está de novo a fluir e é fácil compreender a escolha da palavra "breakthrough" para este momento significativo que anuncia a mudança.
Todos nós já experimentámos estes momentos de exaltação perante problemas, desafios ou objectivos que não eram de forma alguma óbvios. Não há avanço sem esforço e também não há avanço perante as impossibilidades, mas por vezes a impossibilidade é mais uma questão de crença do que de incoerência. A frase "Sejamos realistas, peçamos o impossível" ilustra bem este último ponto. Se quisermos realmente mudar uma situação de bloqueio, temos também de mudar o nosso ponto de vista. Podemos fazer com que a pobreza passe à história, podemos ter verdadeira justiça, podemos viver em equilíbrio com a natureza. Está a começar a sentir a pressão?
Denys Lamontagne - [email protected]
Ilustração: 1553426435