Quando o que está em jogo é baixo ou quando reina o descuido, gostamos da excitação que vem com o risco, desde que estejamos no controlo. Mas na sociedade preferimos minimizar publicamente o risco e fingir que o controlamos, por vezes ao ponto de o negar, como acontece com os cigarros dos fumadores ou com o CO2 da atividade humana, ou de retirar todo o controlo àqueles que podem correr riscos. Risco zero.
Os Xgames e as competições da RedBull recordam-nos o quanto gostamos de assistir a proezas arriscadas. Estes atletas audaciosos são descendentes dignos dos equilibristas e de outros temerários que emocionavam os nossos avós nos circos ambulantes. Que contraste com os recreios das escolas de hoje, onde o mais pequeno risco é avaliado em prémios de seguro e queixas dos pais.
Saber avaliar os riscos, saber quando se deve arriscar e porquê, são competências que se desenvolvem. Não se pode fazer um nollie num skate no primeiro dia, mas pode-se tentar, só pelo prazer de o fazer. A frase do piloto de F1 Mario Andretti: "Se tudo parece estar sob controlo, é porque não estás a ir suficientemente depressa. dá uma ideia da mentalidade das pessoas que correm riscos: ultrapassar os limites, explorar as margens, chegar primeiro, emocionar-se.
O risco também tem um potencial educativo. Um facto bem conhecido da psicologia social é que "o stress aumenta a resposta dominante". Quando se é bom, fica-se melhor; quando não se é tão bom, fica-se pior. O stress é bom para as pessoas que têm o controlo e menos para as outras, o que o torna um critério de avaliação interessante. Uma pessoa que nunca corre riscos provavelmente não tem muita confiança nas suas capacidades. Correr riscos revela muitas vezes o nosso próprio potencial e liberta-nos dos nossos supostos limites. O que pensávamos ser arriscado não o é necessariamente quando o pomos à prova, como falar em público, fazer um backflip ou ir para o estrangeiro. O risco faz parte do quotidiano dos empresários, e aqueles que têm sucesso aprenderam a domá-lo.
Isto não significa correr riscos irreflectidos ou evitar todos os riscos; na maioria das situações, o risco é muito relativo, não nos mata, e o que parece arriscado para uns não o é de todo para outros. Assim, os receios de uns não devem impedir os outros de explorar os seus limites. O risco é também uma escola para a coragem e a ousadia.
Será que já existem riscos suficientes na escola? Depende. O risco de fracasso existe quando se tem de seguir um programa que não se escolheu. O controlo é a primeira condição para assumir riscos ponderados. É algo que se aprende, é algo que se ensina.
Está preparado?
Denys Lamontagne - [email protected]
Ilustração: zhukovvlad - DepositPhotos