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Relações educativas

Porque é que perdemos o interesse por algo? Normalmente, porque não o compreendemos, não estamos ligados a ele ou não o consideramos útil ou satisfatório. Isto leva-nos a concluir que o assunto não merece a nossa atenção. O desinteresse manifesta-se concretamente numa recusa de relacionamento. "Não quero saber nada sobre..." é bastante explícito.

Quantos alunos chegaram a este ponto quando se trata de certas matérias do programa? Quando saem da escola, perdem o interesse por qualquer coisa que se assemelhe a uma abordagem académica das ciências, das línguas ou mesmo das artes. Solfejo? Cálculo diferencial? Botânica? Latim? Qualquer pessoa para quem a disciplina tenha sido uma fonte de stress intenso ou de tédio consumado saberá exatamente qual é a sua posição. Mas então, não há forma de restabelecer a relação?

Em princípio, a escola facilita o processo de aprendizagem. Uma das suas funções primordiais é a de iniciar, de mostrar, de permitir a descoberta. O ser humano aprende através da observação, da perceção, da sensação, da medição, da comparação e também através da prática, da discussão, da reflexão, da análise... através das actividades educativas que a escola pode oferecer. Se assim for, não há razão para se ofender com uma certa falta de interesse, porque ninguém pode interessar-se por tudo com a mesma intensidade. Cada um tem as suas prioridades. Isso deve refletir-se nas avaliações.

A omnipresença da Internet facilita inegavelmente o acesso ao conhecimento, mas apenas de uma forma virtual e fragmentada. O contacto com a coerência e a rugosidade da realidade torna-se uma necessidade que decorre da utilização da Internet. Se o fenómeno dos viciados em livros era marginal antes da Internet, o fenómeno dos viciados em Internet não o é de forma alguma. Um papel claro da escola é o de levar a realidade concreta aos alunos sem a distorcer: a realidade física, cultural e social com todas as suas imperfeições e frustrações. Fazer com que os jovens enfrentem e desenvolvam as suas capacidades individuais e colectivas é a melhor forma de dissolver as suas ansiedades. Estamos a falar de uma relação educativa que precisa de ser renovada.

As instituições dinâmicas não ficam à espera que os ministérios orientem as suas actividades, mas orientam os ministérios.

Denys Lamontagne - [email protected]

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