"Eles já não se esforçam muito." É frequente ouvirmos esta frase quando falamos das gerações mais recentes. É preciso dizer que, mais do que nunca, a tecnologia automatizou tarefas entediantes e, claro, eles beneficiam com isso. Mas será que isso significa que não se esforçam?
Antes de mais, temos de saber definir o que é esforço. Alguns avaliam-no em termos da intensidade do trabalho efectuado, outros em termos da sua duração, e outros ainda em termos de resultados. Mas o verdadeiro significado de esforço é um conjunto de factores que levam um indivíduo a realizar tarefas que têm tanto de físico como de intelectual.
Entre estes factores, a perseverança desempenha um papel fundamental. Ninguém vai trabalhar até à morte se não tiver uma forte motivação intrínseca. E essa motivação tem de vir de algo profundo, não apenas de máximas espalhadas aqui e ali por aqueles que nos rodeiam. O nosso mundo, onde reina a economia neo-liberal, é alimentado pela ideia da força de vontade; querer algo apaixonadamente conduzirá ao sucesso. Uma fábula meritocrática que se desmorona quando confrontada com a análise das ciências sociais e com a realidade.
Não partimos todos do mesmo ponto de partida. Factores sociais, económicos, psicológicos e motores podem melhorar ou reduzir as hipóteses de sucesso de uma iniciativa. Nem todos os alunos têm a mesma origem: alguns já têm uma vantagem em conhecimentos básicos, enquanto outros têm de aprender tudo na escola.
É possível utilizar cenouras e paus para os persuadir a pôr mãos à obra. No entanto, é sem dúvida mais eficaz propor quadros educativos que incentivem os alunos a ultrapassar os seus limites pessoais. Um mundo educativo que reconhecesse o esforço realizado num exercício, tanto quanto a nota final, poderia revelar-se muito mais motivador para todos os alunos. O trabalho escolar, nas suas diferentes formas, tornar-se-ia então mais tangível.
No início deste novo ano, talvez possamos tomar a decisão de recompensar os vários esforços feitos tanto pelos sobredotados como pelos que têm dificuldades, para que todos possam alimentar a sua motivação intrínseca.
Boa leitura!
Alexandre Roberge - [email protected]
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