Durante muito tempo, a noção de produto era uma forma de designar o que era produzido por uma terra ou por uma atividade económica. Depois, o termo entrou na linguagem corrente para designar os objectos vendidos por um comerciante. Foi mesmo transposto para os serviços, quer se trate de fornecedores de acesso à Internet ou de plataformas de difusão.
O marketing alterou a abordagem do produto. Tornou-se uma referência social. Nós colorimo-nos pelos bens que consumimos. O que bebemos, comemos, vestimos e conduzimos diz aos outros parte de quem somos. As empresas jogam com isto: as marcas de equipamento desportivo vendem a ideia de um melhor desempenho, os desodorizantes ou os perfumes dão a ilusão de um poder de sedução irresistível e as linhas de vestuário são associadas ao requinte.
A Internet acentuou esta identificação e ofereceu aos internautas a possibilidade de investirem verdadeiramente no desenvolvimento de um produto. Com o socio-financiamento, uma pessoa decide utilizar o seu próprio dinheiro para votar num projeto cultural, num projeto comunitário ou num novo serviço. O indivíduo ou a instituição que recebe os fundos deve então respeitar este contrato tácito de confiança: "As pessoas acreditam na minha proposta; tenho de a concretizar e ser transparente no processo".
No domínio da educação, esta ideia de uma comunidade em torno do produto de formação está a progredir lentamente. Ainda existe a nobre visão de que a aprendizagem não é um bem de consumo. Mas dado o número de plataformas de cursos em linha e de universidades que disputam as inscrições, parece claro que existe efetivamente um mercado de formação. As universidades americanas abraçaram este comercialismo e estão a jogar com a ideia de que o seu nome é uma marca, vendendo vestuário com o seu logótipo, promovendo o sucesso de antigos alunos e utilizando frequentemente as redes sociais para envolver os futuros alunos, bem como os já inscritos.
O mundo da educação está a entrar discretamente no jogo para criar interesse comunitário em torno de cursos e investigação. Os melhores exemplos encontram-se em certas utilizações docrowdsourcing e, sobretudo, da ciência participativa, que se preocupa com as comunidades e com o efeito das actividades humanas sobre elas. Esta ciência pode então indicar aos investigadores a direção certa para melhorar as suas vidas, seja limpando os ecossistemas locais ou melhorando os programas sociais.
Algumas instituições estão mesmo a ousar pensar em co-construir cursos com base nas propostas dos estudantes. Trata-se de uma abordagem controversa, mas que tem o mérito de auscultar as suas necessidades pedagógicas e de melhorar a formação com base nas suas impressões e nas questões levantadas pelo domínio que lhes interessa. Um olhar mais atento poderá resultar em programas mais fiéis às realidades que encontrarão no terreno.
Esta é uma tarefa que as escolas e os professores poderiam assumir durante o verão. Encontrar formas de reunir uma comunidade em torno de um curso ou programa para o tornar o mais atrativo possível. Sem perder de vista a necessidade de transmitir conhecimentos e competências.
Boa leitura!
Alexandre Roberge - [email protected]
Imagem: Gerd Altmann / Pixabay